Publicado em: 15/06/2026



No consultório, uma dúvida é campeã: "Doutora, as telas estão prejudicando meu filho?". Com significativa experiência na área, formação em pediatria e pós-graduada em Neuropediatria, gosto de explicar que o cérebro da criança é como uma "obra em construção" e os estímulos digitais são como o açúcar: em excesso, desequilibram o sistema.

O "Fast-food" Cerebral: Vídeos curtos e luzes intensas geram picos de dopamina (o hormônio do prazer rápido). Isso vicia o cérebro em um ritmo acelerado, tornando o mundo real, que é mais lento e exige espera, um tanto "tedioso" para os pequenos. É daí que surge a irritabilidade e a falta de foco.

 Criando uma "Dieta Sensorial": Não precisamos banir a tecnologia, mas sim equilibrar o prato. Imagine uma Dieta Sensorial assim, com:

 Estímulos reais (a base) como o toque na grama, o equilíbrio no balanço e o olho no olho. Isso organiza o sistema nervoso;

 O digital (o doce) sendo a exceção, não a regra. Sempre monitorado e nunca perto da hora de dormir, para não "roubar" o sono;

 O poder do tédio ou momento de "não fazer nada", é aqui que o cérebro da criança começa a criar. O ócio é o berço da criatividade.



O segredo não é a perfeição, mas a presença. Vamos desconectar um pouco para conectar de verdade? Troque 20 minutos de tela por 20 minutos de chão. Brincar livremente ao ar livre funciona como um "reset" natural para o cérebro, reduzindo o estresse e melhorando o sono.

 

Campo Mourão

Dra. Ana Carolina Damha | CRM-PR 38.832 | RQE 33343

Pediatra, Pós-graduada em Análise do Comportamento

Aplicada (ABA) e Pós-graduada em Neurologia Infantil.


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