Publicado em: 17/03/2026
Criar filhos nunca foi uma tarefa
simples, mas nos últimos anos ela passou a ser cercada por mitos e medos. Entre
eles, o receio de frustrar a criança e, com isso, “adoecê-la emocionalmente”.
Esse medo tem levado muitos adultos a evitarem limites, acreditando que dizer
“NÃO” pode causar traumas. No entanto, essa ideia não é apenas equivocada, como
também perigosa para o desenvolvimento infantil, visto que LIMITES não adoecem
crianças, na verdade o que adoece é a ausência deles.
Ouso dizer que a frustração faz parte da vida e, deve começar a ser
aprendida desde a infância. Quando a criança é protegida de toda
frustração, ela cresce sem ferramentas emocionais para lidar com o mundo real,
o qual não se adapta às vontades individuais e, isso vale para todas as fases
da vida. Cabe ao adulto cuidador preparar a criança para essa realidade, em
que, limites bem colocados oferecem segurança, previsibilidade e organização
emocional. Eles ajudam a criança a entender até onde pode ir e o que é esperado
dela e, quando os limites são claros, a criança se sente cuidada, não
rejeitada.
O problema não está no limite, mas na forma como ele é imposto, ou
seja, o ideal é orientar, direcionar e não controlar, manipular. O
autoritarismo machuca, mas a ausência de limites machuca mais ainda (a longo
prazo). Diante disso, dizer “NÃO” com afeto ensina a criança a ter respeito,
empatia e autorregulação, com isso, ela aprende que nem tudo acontece no tempo
do desejo, e aprende, principalmente, que frustração não é sinônimo de abandono.
Crianças que nunca são
contrariadas, tendem a apresentar mais ansiedade e intolerância, elas não
aprendem a esperar, negociar ou lidar com o erro. Por isso, praticar o NÃO,
colocando limites, funciona como um contorno emocional que sustenta o
desenvolvimento saudável das crianças. Atitude assim, ajuda a criança a
construir autonomia de forma segura. Portanto, saber colocar limites aos
pequenos é:
• Um ato de cuidado e não de
rigidez;
• Estar presente, mesmo quando o
“sim” não é possível;
• Suportar o desconforto do choro
sem abandonar o vínculo;
• Preparar a criança para a vida
e não para um mundo idealizado, cheio de “tudo posso, quero agora”.
A criança resistir aos limites é
uma reação natural, por outro lado, a firmeza dos pais para lidar com essas reações
faz as crianças entenderem que o limite é real. As regras e os limites fazem
com que a criança cresça mais segura e, com certeza, terá melhores condições de
encarar a vida.
Campo Mourão
Francine Riva Ferrari | CRP/08.15622
Psicóloga - Especialista em Terapia por contingência de reforçamento.