Publicado em: 21/09/2026
Se
você tem reparado que crianças e adolescentes parecem cada vez mais inquietos
ou desinteressados em sala de aula, a resposta pode estar na palma das mãos
deles. O consumo excessivo de vídeos ultra-curtos, entregues pelas redes
sociais, está provocando um fenômeno neurocientífico silencioso chamado de
"Fome de Dopamina".
A
dopamina é o neurotransmissor responsável pela nossa motivação. Ela é liberada
pelo cérebro quando antecipamos uma recompensa. Nas redes sociais, os
algoritmos entregam um estímulo inédito e atraente a cada 15 segundos. Cada vez
que a criança arrasta o dedo para cima, o cérebro recebe uma descarga rápida de
prazer, sem o menor esforço. O problema é que, com a repetição diária, o
cérebro cria tolerância e passa a exigir estímulos cada vez mais velozes para
se manter engajado.

O
choque inevitável acontece na sala de aula. Ali, o ritmo é biológico e
analógico. Ler um livro, interpretar um texto ou acompanhar o raciocínio de um
professor exige foco sustentado, e a recompensa (que neste caso é o
aprendizado) só vem a médio ou longo prazo.
Dicas para desacelerar a
mente:
- Estabeleça um "Detox de dopamina"
diário: Defina pelo menos 1 a 2 horas por dia totalmente livres de telas
(preferencialmente antes de dormir ou logo ao acordar).
- Estimule atividades de recompensa lenta:
Incentive hobbies que exijam esforço e tempo para gerar satisfação, como
esportes, aprender um instrumento musical, jogos de tabuleiro, desenho ou
leitura.
- Evite o "Multitasking"
(multitarefa): Não permita que seu filho estude com o celular ao lado
vibrando ou com a televisão ligada. O cérebro precisa reaprender a fazer uma
única coisa por vez.
- Converse sobre Autorregulação: Explique
para a criança como o algoritmo funciona. Quando eles entendem que estão sendo
"manipulados" quimicamente, tendem a cooperar mais.
Umuarama-PR
Mônica Françozo
Pedagoga e Psicopedagoga; Pós-graduada em Reabilitação Clínica; Especialista em Alfabetização e letramento, Educação Especial e Neurociência em Educação.