Publicado em: 17/03/2026

Acabamos de passar pelo período de férias, sinônimo de liberdade, "bagunça" na rotina com horários mais flexíveis, viagens e atividades noturnas, o que acaba desregulando o relógio biológico (chamado de Atraso de Fase). Tudo isso afeta o humor, a energia e a capacidade de concentração e, o que parecia inofensivo pode impactar diretamente no desenvolvimento e na qualidade da vida infantil, visto que o cérebro está em constante desenvolvimento.

A rotina do sono não é apenas um luxo, é um requisito neurobiológico e comportamental que causa danos em todas as fases da vida de um indivíduo, principalmente para as crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou outros distúrbios do neurodesenvolvimento, pois a rotina é um pilar para sua segurança e regulação emocional, intensificando a desorganização sensorial, que também pode aumentar a irritabilidade e a frequência de crises.

No entanto, o maior prejuízo costuma aparecer, de forma mais intensa, no início do ano letivo, quando a transição abrupta de uma “rotina desregrada” para os horários rígidos da escola pode ser extremamente prejudicial acarretando em sonolência diurna, irritabilidade, dificuldade de aprendizado e problemas de socialização, nas primeiras semanas de aula, transformando um período que deveria ser de entusiasmo em uma fase de estresse e cansaço, tanto para os filhos quanto para os pais.

Para garantir um retorno mais sereno e produtivo para seu filho, oriento:

• Manter os hábitos e a rotina do sono, sempre que possível, mesmo que sejam um pouco mais tarde que o habitual;

• Inicie a reestruturação da rotina de sono antes do fim das férias, pois essa antecipação é uma ferramenta poderosa de cuidado, especialmente para crianças que mais precisam de estrutura e previsibilidade.

Sob a ótica da Neurologia Infantil, o sono regular é vital para a plasticidade sináptica e a consolidação da memória, trazendo melhora na produção de melatonina e cortisol, responsáveis pelo humor, imunidade e a capacidade de atenção da criança. Do ponto de vista da Análise do Comportamento Aplicada (ABA), a rotina noturna atua como um antecedente previsível, e essa previsibilidade reduz a ansiedade e a probabilidade de comportamentos disruptivos (birras ou resistência) na hora de ir para a cama.

Se a dificuldade de seu filho em ter um sono reparador persiste, mesmo com rotinas estabelecidas, ou se o retorno do sono pós-férias é excessivamente desafiador, não hesite, busque ajuda especializada. Problemas crônicos de sono podem ser sinais de alerta para questões neurológicas ou comportamentais subjacentes. Um pediatra com especialização em Neurologia Infantil e ABA está apto a avaliar e diagnosticar distúrbios primários do sono e a aplicar intervenções comportamentais baseadas em evidências (ABA) para restabelecer uma rotina de sono eficaz e duradoura.

Investir no sono do seu filho é investir no futuro neurocognitivo dele.


Campo Mourão

Dr. Ana Carolina Damha | CRM-PR 38.832 | RQE 33343

Pediatra – Pós-graduada em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) e Pós-graduada em Neurologia Infantil.

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